Terça-feira, Setembro 27, 2011


... Que estranho este estado obrigado a estar assim por ti. Porquê? Saberás tu, se é que na verdade sabes alguma coisa sobre estados verdadeiros. Talvez saibas, mas não sabes o estado em que estou por conta do estado que queres estar, porque achas que o meu estado normal é inferior ao estado que tens. É estranho? Claro que sim, muito estranho. Principalmente quando se tem a certeza de um estado. Um estado que nunca quebrou nem encolheu. Estados que não quebram apesar das pancadas, e não encolhem apesar dos baldes de água quente são raros. Diria mesmo, preciosos!

Domingo, Setembro 25, 2011


... Devo aqui escrever que não morro de amores por conduzir - já me chamaram velho por isso!. Quase que trato o alcatrão por 'tu'. Somos cúmplices, eu, ele e o meu carro. Acho mesmo que se o meu carro um dia resolver escrever um livro, eu teria que me ausentar durante largos tempos. Discussões, pensamentos, aventuras, lugares, companhia... Não sei o que fazem vocês no carro, sei que eu faço tudo. Ontem mesmo andei 800 km e aproveitei cada um deles entre a música, as estações de rádio locais que vou ouvindo com atenção, - por gosto ou por vontade de rir de tanta coisa má que se diz - e as muitas paragens em estações de serviço. Entre tudo isto penso na vida. Se valerá a pena brigar tanto,  lutar tanto, suar tanto quando sabemos que pode acabar já ali... no segundo seguinte. Por brigas e orgulhos não perco um minuto do meu dia, mas por sonhos, por acreditar neles, para me manter integro naquilo que entendo hoje - porque amanhã pode mudar - pretendo continuar a lutar. A vida, feitas bem as contas, é uma estrada. Nós vamos conduzindo da melhor maneira. Umas vezes com cautela, outras aceleramos desavergonhadamente e não paramos nos sinais nem respeitamos o sinaleiro. Os sinais são tão importantes! De vez em quando estão estragados, e como não temos 'radar' e já não se usam os sinaleiros, deixamo-nos ir. Eu deixo-me ir. Gosto disso. Sofro com isso, mas se não morro de amores por guiar horas seguidas, amo apaixonadamente ir guiando o meu dia, o meu futuro. Se preciso de um sinaleiro? Todos precisamos, não é?

Domingo, Setembro 11, 2011

... Tenho um lado de mim preso a um estado de alma caloroso, frio, inerte. Talvez não seja bem um estado de alma, e talvez não seja só um lado. Talvez sejam os dois. O corpo inteiro, a carne e o espírito. Não me importo! Não tenho que pedir desculpa porque sinto, se sinto e pelo que sinto. E vocês? Já pararam para sentir. Apenas sentir. Sem mais nada, sem perguntar, sem pensar, com a certeza de que não vai surgir nenhuma resposta inoportuna porque não se fazem perguntas. Talvez,  por ter apenas só um lado de mim preso, é que de vez em quando resolvo apenas sentir, e de quando em vez resolvo apenas ser inoportuno.