Abraça-me «A televisão estava desligada e conseguia ouvir um vento encrespado que soprava e entrava pela fresta das janelas ainda nuas de cortinas. O barulho parava quando o vento era encurralado por algum papelão. Estava ali parado no tempo e dava-me conta que o tempo corria muito depressa. Há quem diga que “o tempo é o que se faz com ele”. Gostava tanto de ter feito do nosso tempo uma história mais bonita e muito mais feliz...»
«Adormeço ao som de uns carros que vão passando de longe a longe e do vasculho dos homens da junta que tentam varrer as ruas molhadas e enfeitadas com as folhas verdes que caíram com a força da chuva. Fecho os olhos e sinto o tempo escorrer-me pelas mãos ao som de um tic-tac que o despertador vai fazendo. Nunca fazemos isso, mas já viste que o tempo pode sentir-se se ouvires cada segundo a passar. Não lhe damos valor, mas cada segundo que passa é menos um segundo que temos e leva com ele tantas coisas. Tantas coisas que cabem num segundo e que ficaram lá atrás, irremediavelmente aprisionadas no passado.»
«A nossa casa é o nosso porto de abrigo. Acho que é só em casa que na realidade somos verdadeiros e autênticos. Sempre fizemos muita questão de ter o nosso canto, feito à nossa medida e recheado de recordações, não foi Marta? Atravesso a sala e rumo ao quarto do Gabriel, tão colorido, uma verdadeira bagunça, brinquedos por todo o lado. Nunca sei muito bem se ele está arrumado ou por arrumar. Com os pés, afasto meia dúzia de carros telecomandados e tento pendurar na parede, por cima da cama dele, a fotografia onde estamos os três na praia. Ele tem aqui no quarto várias fotos tuas, mas nenhuma tão grande como esta. Não vou insistir, mas se ele me perguntar conto-lhe a história deste dia.»
«Adormeço ao som de uns carros que vão passando de longe a longe e do vasculho dos homens da junta que tentam varrer as ruas molhadas e enfeitadas com as folhas verdes que caíram com a força da chuva. Fecho os olhos e sinto o tempo escorrer-me pelas mãos ao som de um tic-tac que o despertador vai fazendo. Nunca fazemos isso, mas já viste que o tempo pode sentir-se se ouvires cada segundo a passar. Não lhe damos valor, mas cada segundo que passa é menos um segundo que temos e leva com ele tantas coisas. Tantas coisas que cabem num segundo e que ficaram lá atrás, irremediavelmente aprisionadas no passado.»
«A nossa casa é o nosso porto de abrigo. Acho que é só em casa que na realidade somos verdadeiros e autênticos. Sempre fizemos muita questão de ter o nosso canto, feito à nossa medida e recheado de recordações, não foi Marta? Atravesso a sala e rumo ao quarto do Gabriel, tão colorido, uma verdadeira bagunça, brinquedos por todo o lado. Nunca sei muito bem se ele está arrumado ou por arrumar. Com os pés, afasto meia dúzia de carros telecomandados e tento pendurar na parede, por cima da cama dele, a fotografia onde estamos os três na praia. Ele tem aqui no quarto várias fotos tuas, mas nenhuma tão grande como esta. Não vou insistir, mas se ele me perguntar conto-lhe a história deste dia.»
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| . Editado em 2008 |
Geneticamente Fúteis - «Conto tudo porque estou farto desta gente hipócrita que vive no luxo rodeada de mentiras e a enganar os pobres de espírito deste Portugal dos pequeninos. E se não querem saber não comprem, porque daqui só levam verdade, ou não fosse eu Bastos, Paulo Bastos!» No dia em que Paulo Bastos, o mais temido e popular cronista social, aparece misteriosamente morto no seu apartamento, o mundo dos famosos entra em estado de choque. Quem terá silenciado o jornalista que anunciava na sua última crónica que ia contar tudo sobre as mais famosas tias de Portugal?
Teresa Campos, directora da revista Rosto; Marta Barros, uma lojista aspirante social e amiga de Alexandra Drummond, uma relações públicas nascida em berço de ouro e lésbica; Helga Carvalhosa, capaz de tudo para aparecer na capa de uma revista e Bibi Galvão, a tia mais antiga de Portugal, que tenta esconder as dívidas que acumula, perante o olhar crítico do filho. Todas viram Paulo Bastos na noite em que morreu. E todas escondem um segredo. Alfredo Rocha, inspector de polícia, tem a difícil tarefa de descobrir o assassino. Cláudio Ramos apresenta-nos Geneticamente Fúteis, um retrato social, onde o mistério e a intriga se cruzam com uma crítica mordaz ao mundo do social de que o próprio autor faz parte.
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| . Editado em 2004 |
As aventura de Nocas - Esta é a história de Nocas, uma menina de dois anos, muito gordinha, de cara redonda, olhos grandes e sorriso desdentado! O autor, Cláudio Ramos, que se estreia na literatura infantil, presta assim homenagem à sua filha Leonor - uma criança feliz, como o deveriam ser todas as crianças. As coloridas ilustrações de Carla Antunes conferem ao livro uma dinâmica muito especial e ajudam a visualizar o pequeno grande universo da Nocas. Um livro recheado de ternura e encanto, para "saborear" em família.
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| . Editado em 2000 |



